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    Social Media:

    A empresa que mais usa ChatGPT não é, necessariamente, a que mais lucra com IA generativa. Parece contraintuitivo — mas é exatamente o que se vê quando se olha de perto o que a maioria das empresas está fazendo com esses modelos hoje.

    Na maior parte das empresas, “usar IA generativa” virou sinônimo de abrir uma aba de chat pra escrever um e-mail, resumir um documento ou gerar uma imagem pra post. É uso real, economiza tempo de digitação — mas não muda em nada como a empresa decide, prioriza ou executa. É a mesma pessoa, tomando a mesma decisão, pelo mesmo processo, só que datilografando mais rápido.

    O mecanismo por trás do hype: o que um modelo generativo realmente faz

    Vale entender o mecanismo antes de decidir onde ele importa. Um modelo de linguagem generativo não “sabe” fatos como um banco de dados — ele prevê, token a token, qual é a continuação estatisticamente mais provável de um texto, com base em padrões extraídos de um volume gigantesco de dados de treino. É por isso que ele é excelente pra tarefas de forma (escrever num tom específico, estruturar um argumento, traduzir registro) e menos confiável pra tarefas de fato (ele erra, com convicção, exatamente nos domínios pouco representados nesse treino — um contrato com cláusula regional específica, um dado interno que só existe na sua empresa).

    Isso já entrega a primeira pista de onde está o valor real: não em pedir pro modelo “saber” alguma coisa sobre o seu negócio — ele não sabe, a menos que você alimente essa informação — mas em usá-lo como uma camada de raciocínio sobre dado que você já tem, formalizado e estruturado. Chat aberto sem contexto nenhum do seu negócio é a versão mais fraca dessa camada. Amarrado a um processo e a um dado real, é outra categoria de ferramenta.

    Um exemplo: a mesma ferramenta, dois resultados diferentes

    Imagina uma equipe de marketing de uma empresa de serviços que adota IA generativa pra escrever posts, e-mails e propostas comerciais. O resultado é real: o texto sai mais rápido, o rascunho chega melhor pronto. Seis meses depois, porém, a equipe ainda aprova proposta do mesmo jeito, ainda prioriza cliente pelo mesmo critério informal de sempre, ainda decide o que vira campanha pela intuição de quem está na sala. A ferramenta acelerou a digitação. Não tocou em nenhuma decisão.

    Agora imagina a mesma tecnologia, usada de outro jeito: o modelo generativo lê o histórico estruturado de propostas — valor, prazo de fechamento, motivo de perda quando perdeu — e não só escreve a próxima proposta, mas sinaliza qual cliente da fila tem o padrão de quem historicamente fecha rápido e qual tem o padrão de quem historicamente exige desconto e atrasa. A decisão de “quem eu priorizo essa semana” deixa de ser só intuição de quem está na sala e passa a ter um insumo novo. O texto que o modelo gera é o mesmo tipo de texto de antes. O que mudou foi o que a empresa faz com a saída dele — de rascunho pra insumo de decisão.

    Uso superficial não é aplicação estrutural

    É essa a distinção que separa as duas empresas do exemplo acima: uso superficial de IA generativa troca o teclado por um assistente, mas deixa o processo, o critério de decisão e a estrutura de prioridade exatamente onde estavam. Aplicação estrutural usa o mesmo modelo como insumo dentro de uma decisão, uma priorização ou um passo de processo que antes dependia só do julgamento não-documentado de uma pessoa.

    Como argumenta João Paulo Batistella, executivo de inovação e ex-CEO da EISA, a premissa que sustentava a forma antiga de organizar uma empresa era “não tenho todo o conhecimento do mundo disponível internamente” — e essa premissa deixou de valer. A pergunta que fica não é mais “como consigo as pessoas certas pra essa tarefa”, é “o que eu peço pra esse raciocínio praticamente ilimitado fazer”. Só que essa pergunta só rende alguma coisa quando é feita dentro de um processo real, com dado real da empresa — não dentro de uma aba de chat genérica, sem contexto nenhum do que a empresa faz.

    Onde procurar o próximo uso estrutural

    A pergunta certa pra abrir essa busca não é “o que a IA generativa consegue escrever pra mim”. É: qual decisão, priorização ou passo do meu processo depende, hoje, de uma pessoa transformar informação não-estruturada em julgamento — e esse julgamento se apoia em dado que a empresa já tem, mesmo que espalhado (histórico de proposta, reclamação de cliente, planilha de acompanhamento)? É nesse ponto exato que vale plugar um modelo generativo — não como chat ao lado do trabalho de sempre, mas como parte do fluxo que gera a decisão.

    Isso funciona bem pra decisões repetitivas e de volume alto, onde o padrão histórico é um bom preditor (priorização de lead, triagem de chamado, classificação de risco). Pra decisões raras e de alto impacto — uma aquisição, uma demissão, um pivô de estratégia — o modelo pode organizar a informação e apontar padrão, mas o julgamento final continua sendo humano, e deveria continuar.

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    Eleva Editorial